Por Redação em 23/03/2020

  • O que está em jogo: Com a saída oficial do Reino Unido da União Europeia, em 31 de janeiro, qual será o impacto para a continuidade do desenvolvimento das energias renováveis?

O Reino Unido pode ir na contramão do restante da Europa. Enquanto os países da União Europeia (UE) trabalham em direção ao fortalecimento do mercado da energia, constroem conexões elétricas, descentralizam seus sistemas e estabelecem parcerias para obter maior penetração das energias renováveis ​e estabilidade das redes, o Reino Unido poderá ficar isolado com a manutenção dos subsídios que permitem manter a frota de combustíveis fósseis, dando pouca ênfase às energias renováveis, sem a cooperação dos demais países da UE.

Reino Unido já foi referência em energias renováveis

A política energética do Reino Unido sempre foi referência na Europa e moldava a política energética dos países pertencentes à União Europeia (UE).

A política da UE de desagregar o setor elétrico, ou seja, a separar a geração das redes de transmissão e distribuição  foi promovida pelo exemplo britânico.

Em relação ao setor de energia renovável, o Reino Unido tem uma política energética distinta da UE. Enquanto a maioria dos países europeus adotou as chamadas tarifas premium, o Reino Unido possui seu próprio modelo, com base em um sistema de cotas, cujo governo define uma meta de produção de energia a partir das fontes renováveis ​​e permite que o mercado determine o preço.

O Reino Unido desenvolveu uma política de cotas – RO (Renewables Obligation) – para destinar investimentos  públicos para a produção de energia , após o período de privatização de 1989.

Inicialmente, os investimentos abriram o espaço para a  energia eólica da Escócia, que é o país ventos mais fortes do Reino Unido.

Já a energia solar fotovoltaica, após ter seus custos reduzidos pelos avanços tecnológicos, também receberam investimentos pela política de cotas RO.

Além disso, em 2010, o governo do Reino Unido introduziu outro sistema de política de tarifa (FIT) para apoiar instalações de pequena escala de baixo carbono até capacidade máxima de 5 MW.

Política atual prevê subsídios a combustíveis fósseis

O Reino Unido abandonou  as antigas políticas de subsídios às energias renováveis ​​e o setor de eletricidade da região. Após 2014, com a Reforma do Mercado de Eletricidade (EMR), todos os investimentos em energia passaram a ser subsidiados desde combustíveis fósseis a energias renováveis.

Com a implementação do EMR, o governo não está interessado no desenvolvimento da energia renovável. O resultado pós-Brexit é que desobriga o Reino Unido  de cumprir suas metas de redução de gases de efeito estufa estabelecidas pela UE, o que poderá isolá-lo dos demais países da UE.

Há quem defenda que o Brexit  trará a remoção de impostos aos painéis fotovoltaicos solares importados no país de fora da UE, o que poderá impulsionar o setor solar do Reino Unido. Porém, com os políticos alinhados com a saída do Reino Unido da UE,  há a visão de negligenciar a mudança climática, com oposição aos estímulos às energias renováveis. Com informações da IENE.