Por Redação em 01/06/2020

A tendência é de que o preço da energia no ACL fique em patamares mais baixos para 2020 e em 2021. Na avaliação de especialistas e agentes, essa pode ser uma boa oportunidade para migração.

Confira essa e outras notícias que movimentaram o mercado no último mês!

Sumário

  1. Destaques do Mês
  2. PLD (Preço no Mercado de Curto Prazo)
  3. Energia Natural Afluente (ENA)
  4. Energia Armazenada
  5. Geração Mensal de Energia
  6. Indicadores Econômicos

Destaques do Mês

  • Preço da energia no ACL deve incentivar migração de consumidores

Segundo dados da CCEE, houve uma redução de cerca de 15% no consumo de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN), sendo de 14% no Ambiente de Contratação Regulado e de 19% no Ambiente Livre. Com isso, somado ao nível de reservatórios do país, a tendência é de que o preço da energia no ACL fique em patamares mais baixos para 2020 e em 2021. Na avaliação de especialistas e agentes, essa pode ser uma boa oportunidade para migração.

A interpretação é de que há uma perspectiva de melhoria nas condições de armazenamento para o início de 2021, e, apesar de não termos uma previsão certeira sobre os desdobramentos nas próximas semanas, pode ser um bom cenário para o consumidor se contratar no longo prazo. Outra interpretação é que a Conta Covid deve apresentar um impacto para o ACR, e mesmo com a baixa taxa Selic temos outros efeitos na tarifa decorrentes da energia de Itaipu, em dólar, e ainda, do custo dos combustíveis, que formam a maior parcela da CDE. Tais fatores ajudariam a elevar os custos aos consumidores no mercado regulado, reforçando essa tendência de ampliação das diferenças entre os dois ambientes de contratação, gerando um incentivo para uma maior migração ao mercado livre.

  • Geração de energia elétrica recua 1,9% no primeiro trimestre de 2020

De acordo com dados do InfoMercado Mensal da CCEE, a geração de energia elétrica do SIN recuou 1,9% no primeiro trimestre deste ano, quando comparado ao mesmo período de 2019, sendo este volume consumido nos três primeiros meses de 2020 totalizou 66.532 MW médios.

Entre janeiro e março, a geração de energia por meio da fonte solar fotovoltaica cresceu 21,7% frente ao primeiro trimestre de 2019. Por outro lado, a produção hidrelétrica recuou 2,5% no período, assim como as eólicas geraram 15,8% menos do que nos mesmos meses do ano passado. Diante desse resultado, a geração termelétrica cresceu, cerca de 7,4%.

Ao contabilizar apenas o mês de março, a geração de energia elétrica recuou 0,7%, na comparação com o mesmo mês em 2019, para 65.089 MW médios. Os destaques são a queda de 14,2% da geração de térmicas e de eólicas, e o aumento de 29% da fotovoltaica. Nesse contexto, a geração de hidrelétricas teve elevação de 2,1% em relação a março do ano passado.

Em março, o consumo recuou 0,8% frente ao mesmo mês de 2019. O mercado regulado apresentou queda de 2,5%, para 44.912 MW médios, enquanto o mercado livre viu a demanda crescer 3,4%, para 20.077 MW médios, comportamento explicado pela migração de consumidores.

Excluindo os efeitos das migrações, em março, o consumo seria 0,5% menor no mercado regulado e 1,4% no mercado livre. A redução do consumo de energia no mercado livre, é explicada pela queda no consumo de 11 ramos de atividade que correspondem a cerca de 56,4% do total demandado no mercado livre. Dentre essas quedas, destacam-se os setores de transporte (-21%), serviços (-16%), veículos (-13%) e têxteis (-9%).

  • Volume dos reservatórios sobe 0,5% e submercado Nordeste chega a 91,6% de capacidade

Em um dia de elevações nas capacidades da maioria dos reservatórios do país, o Nordeste atingiu 91,6% na quarta semana de maio, de acordo com o boletim diário do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A energia afluente marca 87% da Média de Longo Termo (MLT) e a armazenada mostra 47.250 MW mês.

Os reservatórios do Sul contaram com aumento de 0,2%, fazendo os níveis subirem para 16,5%. A energia afluente cresceu para 13% da MLT, enquanto a armazenada subiu para 3.278 MW. No submercado Norte a capacidade de armazenamento também cresceu em 0,2%, indo para 82,9%. A energia contida aparece com 12.569 MW e a armazenável indica 84% da MLT.

Na região Sudeste/Centro-Oeste o volume útil permaneceu estável em 55%. A energia contida aparece com 111.569 MW mês e a afluente permanece em 76% da MLT.

  • Aneel aprova abertura de consulta pública para regulamentação da Conta Covid

Representantes das distribuidoras reforçam necessidade de que os recursos da Conta Covid sejam suficientes para cobrir todos os déficits de receita do segmento, incluindo na conta as inadimplências, redução de consumo, o atraso da parcela de demanda contratada por grandes consumidores que não será paga até julho e a cobertura dos reajustes anuais que tiveram sua aplicação adiada até 30 de junho.

Os executivos também defenderam a necessidade de reequilíbrio econômico das distribuidoras através da inclusão de custos da Parcela B da tarifa em um processo tarifário futuro, e não apenas por meio de uma revisão extraordinária imediata. Desta forma, para melhor detalhamento das condições de acesso aos empréstimos de auxílio às distribuidoras, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovará abertura de consulta pública.

As operações financeiras da conta serão geridas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) conforme regulamentado pelo Decreto 10.350/2020, sendo a operação estruturada entre os ministérios de Minas e Energia (MME), Economia (ME) e a Aneel junto a um pool de bancos sob a coordenação do BNDES, sendo o seu custo repassado aos consumidores a partir do ano que vem.

PLD (Preço no Mercado de Curto Prazo)

O PLD valora a energia comercializada no mercado de curto prazo, sendo determinado semanalmente para cada patamar de carga e submercado, baseado no Custo Marginal da Operação (CMO), limitado aos valores máximos e mínimos definidos pela Aneel.

O PLD dos submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul que estava no valor piso de R$39,68/MWh na primeira semana de maio, subiu para R$86,04/MWh na quarta semana no mês. Já para os submercados Norte e Nordeste o valor se manteve no piso.

Gráfico PLD mês de maio

Fonte: CCEE

No gráfico abaixo são apresentadas as séries históricas do PLD e do CMO nos últimos 18 meses. De forma geral, observa-se que as duas séries históricas apresentam o mesmo perfil, exceto para os meses em que o CMO é mais elevado do que o PLD máximo, sendo a diferença convertida em encargos.

Na quarta semana de maio o CMO apresentou o valor de R$80,13/MWh para os submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul e se manteve em R$0,00/MWh para os submercados Norte e Nordeste.

Gráfico demonstrativo do CMO

Fonte: CCEE e ONS

Energia Natural Afluente (ENA)

O custo da operação do sistema brasileiro leva em conta as previsões de vazão mensal ou Energia Natural Afluente (ENA), revisada semanalmente pelo ONS.

A previsão de ENA realizada no mês de maio se mantém com comportamento similar a previsão realizada no mês anterior, porém um pouco abaixo entre junho e outubro.

Média histórica de Energia Natural Afluente

Fonte: CCEE

Energia Armazenada

Em relação à energia armazenada do SIN, no gráfico abaixo são apresentados os níveis de armazenamento dos anos de 2019 e 2020 e a previsão de armazenamento da CCEE. Além disso, são apresentados níveis mínimos e máximos de armazenamento e a média histórica do período de 2000 a 2019.

A previsão da CCEE para a energia armazenada no ano de 2020, representada pela linha vermelha, mostra-se acima dos valores concretizados no ano anterior (linha azul) durante todos os meses do ano e se mantém similar à média histórica. Os níveis de armazenamento do submercado Sudeste/Centro-Oeste estão em 55,04% na última semana de maio de acordo com os dados disponibilizados pelo ONS.

Nível de Armazenamento do Sistema Interligado Nacional

Fonte: InfoPLD da CCEE.

Geração Mensal de Energia

As principais fontes de energia no Brasil são hidrelétricas, seguida pelas termelétricas e eólicas. No gráfico abaixo estão apresentados os volumes de energia gerados na primeira quinzena do mês de maio de 2020 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Observa-se que a geração Hidráulica apresentou queda de 15,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, já as fontes Térmica e Eólica tiveram um leve crescimento de 1,4% e 1,8% respectivamente. A geração Fotovoltaica apresentou crescimento de 34,5%.

Principais fontes de energia no Brasil

Fonte: Infomercado CCEE

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Indicadores Econômicos

Nos gráficos abaixo observam-se as expectativas dos indicadores econômicos IPCA, IGP-M, Crescimento do PIB e Produção Industrial para 2020 e 2021, de acordo com os dados divulgados pelo Banco Central.

Para 2020, a expectativa da mediana do IPCA caiu de 2,23% para 1,57% entre a última semana de abril de 2020 e a última semana de maio de 2020. Para o ano de 2021, a expectativa é de 3,14%

Para abril de 2020, a expectativa da mediana do IGP-M é de 4,86%, para 2021 a expectativa é 4,00%.

A expectativa de crescimento do PIB apresentou queda em 2020, passando dos -2,96% de abril para -5,89% na quarta semana de maio. Para 2021 subiu para 3,50%

A expectativa de Produção Industrial para o ano vigente também apresentou redução, fechando em -3,68%, já para 2021 a expectativa foi para 2,50%.

Indicadores economicos do mês de maio

 Fonte: Boletim Focus do Banco Central do Brasil

As análises aqui apresentadas têm a finalidade única de informação e não devem ser tomadas como uma recomendação, oferta, aconselhamento ou solicitação de compra, ou venda de energia. A ENGIE não se responsabiliza pela utilização destas informações, nem tampouco pela sua exatidão, precisão ou completude. A decisão de compra ou venda de energia é de sua exclusiva responsabilidade e não deverá se basear no conteúdo deste Boletim.