Por Redação em 03/07/2020

Geração eólica registrou, pela primeira vez no submercado Nordeste, a marca de 10 mil MW. Confira esse e outros destaques do mês no InfoEnergia ENGIE.

Sumário

  1. Destaques do Mês
  2. PLD (Preço no Mercado de Curto Prazo)
  3. Energia Natural Afluente (ENA)
  4. Energia Armazenada
  5. Geração Mensal de Energia
  6. Indicadores Econômicos

Destaques do Mês

  • Nordeste registra pela primeira vez geração eólica acima de 10 mil MW

O submercado Nordeste ultrapassou no dia 21 de junho, pela primeira vez, a barreira dos 10 mil MW de geração de energia eólica. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou às 10h21, o recorde do ano de geração eólica instantânea, com 10.121 MW, correspondendo a um fator de capacidade de 68,1%. A energia gerada seria suficiente para abastecer, naquele momento, toda a região Nordeste (8.500 MW), com sobra de 18% dessa geração. O recorde anterior de geração de energia eólica foi registrado há cerca de sete meses, em 12 de novembro de 2019, com 9.755 MW.

Durante o final de semana em que o recorde foi batido, o Nordeste foi exportador de energia, com valores superiores a 6.200 MW em alguns momentos.

  • Aneel regulamenta Conta-covid para injetar liquidez no setor e amortecer aumento nas tarifas

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou no dia 23 de junho, em reunião pública de diretoria, a regulamentação da Conta-covid, operação que vai amenizar o impacto nas contas de energia elétrica causado pela pandemia do novo coronavírus. Por meio de empréstimo de um conjunto de bancos, os aumentos nas tarifas de energia serão diluídos ao longo de cinco anos e a situação financeira das empresas do setor será preservada.

Com a decisão, a Agência regulamenta o Decreto n° 10350/2020 para estabelecer os critérios do empréstimo às empresas do setor via Conta-covid com valor teto de R$ 16,1 bilhões.  A quantia será oferecida ao setor elétrico pelos bancos, liderados pelo BNDES, para ser paga ao longo dos próximos 60 meses. Desse modo, o setor sai na vanguarda, sendo um dos primeiros a encontrar uma solução de mercado, sem recursos do Tesouro Nacional, para superar a crise provocada pela pandemia.

Os recursos serão um alívio para os consumidores ao evitar reajustes maiores das tarifas de energia elétrica, além de garantir fluxo de caixa para que as empresas do setor honrem seus contratos e possam superar os efeitos da pandemia.

A operação será contratada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que assegurará o repasse à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), já existente na tarifa de todos os brasileiros. A próxima etapa será a assinatura dos contratos das distribuidoras com a CCEE para viabilização dos empréstimos.

A Conta-covid foi desenhada pelos ministérios de Minas e Energia, da Economia, pela ANEEL, pelo BNDES e representantes do setor. A regulamentação ficou em Consulta Pública entre os dias 27/05/2020 e 01/06/2020. Nesse período, a consulta recebeu mais de 419 contribuições de 77 agentes do setor.

  • Número de consumidores no Mercado Livre cresceu 23%

De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), ao final de maio havia ao todo 7.689 consumidores habilitados a negociar energia no Ambiente de Contratação Livre (ACL), isso representa um crescimento de 23% em relação ao mesmo período de 2019. De dezembro a maio, houve aumento de 8% no número de agentes na CCEE (9.725 contra 9.010). Os dados já descontam os agentes desligados no período.

Entre janeiro e maio, 718 consumidores migraram para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), sendo 668 especiais e 50 livres. O volume de migrações vem em linha com o verificado nos últimos meses, disse a CCEE em nota divulgada à imprensa no dia 15 de junho.

Apenas no mês de maio, 126 consumidores especiais e 8 livres se associaram à CCEE, além de dez novas comercializadoras e 26 produtores independentes de energia. Ao considerar o percentual de migração por submercado, o Sudeste/Centro-Oeste reuniu a maioria das adesões, resultando que 59% dos agentes estejam localizados na região.

Atualmente, estão em andamento 1.019 processos de adesão à CCEE, sendo 765 de novos consumidores especiais. Ao final do mês, eram 23 os comercializadores varejistas habilitados para atuação.

  • Previsão da afluência sobe para 70% da MLT no submercado Sul

De acordo com dados divulgados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) no dia 19 de junho, a previsão de Energia Natural Afluente (ENA) subiu de 36% para 70% da Média de Longo Termo (MLT) no subsistema Sul, elevando a estimativa de armazenamento dos reservatórios para o final de junho a 37,7% de capacidade máxima, ante expectativa de 26,4% na terceira semana do mês.

O aumento na previsão de afluência também foi verificado no Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO), que passou de 74% para 76% da MLT. O mesmo não aconteceu nos subsistemas Nordeste (NE) e Norte (N), os quais as expectativas de chuvas caíram para 74% e 111%, respectivamente, quando o esperado estava 78% e 114% segundo relatório da semana anterior.

Também chama a atenção a previsão mensal de carga, que caiu de 61.177 MW médios para 60.825 MW médios, o que significa uma variação negativa de 4,6% na comparação com junho de 2019. A retração no consumo é constada em todos os subsistemas: -5,1% (SE/CO); – 4,6% (Sul), – 3,7% (NE); e -2% (N).

A estimativa de armazenamento máximo dos reservatórios das hidrelétricas para os demais submercados ficou assim: 53,6% (SE/CO); 85,5% (NE) e 84,7% (N). O Custo Marginal da Operação (CMO), na média semanal, ficou em R$ 116,40/MWh (SE/CO e S) e R$ 91,98/MWh (NE e N).

PLD (Preço no Mercado de Curto Prazo)

O PLD valora a energia comercializada no mercado de curto prazo, sendo determinado semanalmente para cada patamar de carga e submercado, baseado no Custo Marginal da Operação (CMO), limitado aos valores máximos e mínimos definidos pela Aneel.

O PLD do submercado SE/CO seguiu em crescimento durante o mês de junho, com exceção de uma queda entre a terceira e quarta semana do mês, fechando no valor de R$ 119,6/MWh.

Gráfico de representação do PLD

 Fonte: CCEE

No gráfico abaixo são apresentadas as séries históricas do PLD e do CMO nos últimos 18 meses. De forma geral, observa-se que as duas séries históricas apresentam o mesmo perfil, exceto para os meses em que o CMO é mais elevado do que o PLD máximo, sendo a diferença convertida em encargos. Na quarta semana de junho o CMO apresentou o valor de R$116,40/MWh para os submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul e foi para R$91,98/MWh para os submercados Norte e Nordeste.

Gráfico representando os números de CMO

Fonte: CCEE e ONS

Energia Natural Afluente (ENA)

O custo da operação do sistema brasileiro leva em conta as previsões de vazão mensal ou Energia Natural Afluente (ENA), revisada semanalmente pelo ONS.

A previsão de ENA realizada no mês de junho apresenta maiores altas e baixas que a previsão realizada no mês anterior conforme apresentado no gráfico.

Previsões de energia natural afluente

Fonte: CCEE

Energia Armazenada

Em relação à energia armazenada do SIN, no gráfico abaixo são apresentados os níveis de armazenamento dos anos de 2019 e 2020 e a previsão de armazenamento da CCEE. Além disso, são apresentados níveis mínimos e máximos de armazenamento e a média histórica do período de 2000 a 2019.

A previsão da CCEE para a energia armazenada no ano de 2020, representada pela linha vermelha mostra-se acima dos valores concretizados no ano anterior (linha azul) durante todos os meses do ano e se mantém em torno da média histórica. O nível de armazenamento do SIN fechou o mês de maio em 60,6% de acordo com os dados disponibilizados pelo ONS.

Linha histórica dos níveis de armazendamento do SIN

Fonte: InfoPLD da CCEE.

Geração Mensal de Energia

As principais fontes de energia no Brasil são hidrelétricas, seguida pelas termelétricas e eólicas. No gráfico abaixo estão apresentados os volumes de energia gerados na primeira quinzena do mês de junho de 2020 em comparação com o mesmo período do ano passado. Observa-se que as gerações hidráulica e eólica apresentaram queda de 7,7% e 16,6% respectivamente em relação ao mesmo período do ano anterior, já a fonte térmica teve crescimento de 7,3%. A geração fotovoltaica apresentou crescimento de 35,8%.

Geração Mensal de Energia para o mês de junho

Fonte: Infomercado CCEE

Indicadores Econômicos

Nos gráficos abaixo observam-se as expectativas dos indicadores econômicos IPCA, IGP-M, Crescimento do PIB e Produção Industrial para 2020 e 2021, de acordo com os dados divulgados pelo Banco Central.

Para 2020, a expectativa da mediana do IPCA subiu de 1,57% para 1,61% entre a última semana de maio de 2020 e a última semana de junho de 2020. Para o ano de 2021, a expectativa é de 3,00%

Para junho de 2020, a expectativa da mediana do IGP-M é de 5,52%, para 2021 a expectativa é 4,00%.

A expectativa de crescimento do PIB apresentou queda em 2020, passando dos -5,89% de maio para -6,50% na quarta semana de junho. Para 2021 se manteve em 3,50%

A expectativa de Produção Industrial para o ano vigente também apresentou redução, fechando em -5,50%, já para 2021 a expectativa foi para 3,50%.

Gráfico dos indicadores econômicos de junho

 Fonte: Boletim Focus do Banco Central do Brasil

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