Por Redação em 12/03/2020

  • O que está em jogo: a redução dos custos de eletrificação transformará a eletricidade em uma opção para veículos, indústrias e edifícios e isso depende da continuidade do desenvolvimento tecnológico

A eletrificação de veículos, em edifícios e indústrias na Europa pode reduzir em até 60% as emissões de gases de efeito estufa entre 2020 e 2050, de acordo com relatório publicado pela BloombergNEF (BNEF).

A expectativa do estudo é de que haja uma revolução do uso de energia nesses três segmentos nos próximos 30 anos, promovendo reduções acentuadas nas emissões de CO2. O relatório prevê que a descarbonização ocorra por meio da eletrificação, levando em conta os níveis  atuais de emissões, conforme almeja as políticas de metas do Reino Unido e da Alemanha.

Victoria Cuming, chefe de análise de políticas globais do BNEF, explicou que a eletrificação pode dar uma enorme contribuição para atingir as metas de redução de emissões dos gases de efeito estufa pelos governos, explorando a transição de baixo carbono, que já está em andamento no setor de energia.

De acordo com o estudo, o crescimento da eletrificação pode ocorrer de forma direta e indireta. O processo direto envolveria o setor automotivo, com a adesão aos veículos elétricos em larga escala, assim como ampliação dos sistemas de aquecimento elétrico em edifícios e em algumas áreas da indústria. Já no modelo indireto haveria uma mudança para o hidrogênio verde, como combustível para fornecer aquecimento aos edifícios, bem como ampliar seu consumo em maior quantidade nos processos industriais, já que ainda dependem dos combustíveis fósseis.

De acordo com Victoria, para que as metas sejam bem sucedidas, neste modelo de eletrificação será necessário implementar políticas públicas para que essas mudanças ocorram.  “Os governos devem criar incentivos ou definir requisitos para reduzir as emissões, como sistema de aquecimento em edifícios, apoiar projetos de eletrificação e eliminar barreiras à produção de hidrogênio verde. Também será necessário envolver os consumidores de energia e toda a sociedade pelo papel crucial que vão desempenhar para eletrificação desses novos setores”, destacou a chefe de análise.

Já Albert Cheung, chefe de análise do BNEF, abordou a necessidade de ampliar as políticas públicas para o setor de energia e os volumes de geração de energia em fontes renováveis, além da implantação de baterias e demais fontes para equilibrar o sistema.

O relatório estima que o setor de energia deverá demandar 75% a mais em capacidade de geração até 2050, sendo que a maior parte desta geração deverá ser atendida por  usinas eólicas e solares de baixo custo.